Monday, February 6, 2012

Espera

Talvez você nem precise, mas é bom ouvir que sim
Gosto das palavras não tão pensadas assim
As vezes doem aquelas que são pensadas demais
Gosto da sua coragem de viver sem pensar no que vai ser
Talvez fosse isso que me faltava
O simples sendo sempre
Mas ainda tenho medo, meu bem,
Das palavras que me fazem sonhar demais
E talvez seja da sua calma que eu precise mais
E se digo que preciso, preciso daquele meu jeito de precisar
E mesmo se não for, é bom dizer que sim.

:)

Sunday, June 12, 2011

:)



Um dia ela veio. Num dia frio e chuvoso, o que talvez tenha contribuído para a chegada dela. Veio sem que eu esperasse, veio sem que eu ao menos pedisse ou convidasse, nada que eu não faria, mas não fiz, e não me recordo bem do por quê. Mas ela veio de um jeito tão simples e tão doce que nem mesmo permitiu que eu me assustasse ou estranhasse. Acordei e ela já estava aqui, completa e plena. E grande, Deus, como ela é grande e bonita. E ela veio me contando das coisas que aquecem meu coração, de uma forma tão nova que foi como se eu não conhecesse essas coisas. Ela chegou pertinho de mim e me contou de você, me disse que você estava dormindo na sua cama. E essa imagem me fez querer saber mais. Mas eu não perguntei porque não pergunto nada de manhã, justamente por saber que nada me faz entender coisa alguma de manhã. Mas ela soube me fazer entender que ela estava ali, e que pela primeira vez em toda a minha vida ela não estava querendo só passar uns dias na minha casa. Parece que ela quis ficar de vez. Não quero pedir, tenho medo de assustá-la se pedir isso. Mas eu queria que de alguma forma, da mesma forma que ela soube me trazer tudo o que me faz bem, ela soubesse que essa é a hora dela ficar de vez. Que esse é o lugar dela. Eu queria que ela soubesse disso, e eu acho até que sabe. Mas não vou pedir, acho que eu não sei mais pedir nada. Só sei viver o que me vem. E nem é do jeito certo, eu acho, mas é do meu jeito. E agora que ela veio, eu não queria que ela fosse. Mas quando ela veio ela afastou de mim todos os sentimenos ruins, inclusive o medo. Acho que com os anos eu fui perdendo o medo. E hoje ela me trouxe uma paz maior que assustou todos os meus medos. E ela me fez sentir plena, e completa - como ela - e grande. E eu sei que nessa manhã, nesse momento, você está lindo dormindo assim. E quando acordar, espero que ela esteja aí também, e que ela te conte tudo o que te faz bem, que ela aqueça seu coração e que ela saiba te dar o beijo de "bom dia" que você merece. Se eu pudesse ou soubesse pedir mais alguma coisa, eu pediria pra ela estar com você todas as manhãs, da forma como ela esteve aqui hoje. Pediria pra ela te fazer bem. Minha doce felicidade. :)


Monday, March 21, 2011

Conversa com o Nada.




Oi, Nada, como está aí dentro? É bom ter um visitante exótico assim as vezes. Mas não fique muito tempo, eu enjoo fácil das coisas, logo logo vou enjoar de você. "Só dure o tempo que mereça". Reconheço que é necessário um certo silêncio, e só entendi isso depois que ele veio. Não gostei quando ele chegou, admito, mas hoje eu sei o quanto eu precisava disso. Nada, perdoe minha sinceridade, mas o senhor me deixa entediada as vezes. Eu sei que se o senhor não fosse um visitante tão espaçoso, eu teria vivido experiências suficientes pra te expulsar daí, e talvez eu tenha vivido sim, mas o senhor não se incomodou, e se acomodou em vez disso. É como colocar uma música bem ruim pra tocar repetidas vezes, e deixar ela tocar bem alto até o visitante se sentir incomodado e ter vontade de ir embora. Mas o senhor parece não se incomodar com minhas músicas. Talvez até goste delas. Desculpe se estou sendo egoísta, e se parece que estou querendo te expulsar do meu coração, não é verdade, você não me incomoda. Mas eu me sinto um pouco sozinha, porque o senhor não costuma falar muito, né? Mas parece ser um bom ouvinte. Não sei quantas vezes o senhor já ouviu minhas histórias repetidas, os meus lamentos e os meus exageros, mas obrigada de qualquer forma. Dizem que quando a gente convive muito com alguém, começamos a nos parecer com ele. Talvez eu esteja começando a me parecer com o senhor. Meio sem graça, quieto. Noite passada eu fiquei horas falando antes de dormir, como é que o senhor me aguenta? Eu sou repetitiva. Acho que estou cansando de mim. Mas me fale um pouco de você, como está aí dentro desse coração apertado? Desculpe pelo tamanho, ele andou dando uma diminuída. Mas isso volta, né? Ele vai esticar. Meus amigos são legais, né? Minha família... são eles que mantem esse coração batendo. Mas me perdoe mesmo o desconforto e a bagunça. Não tem nada que faça esse lugar ficar organizado. Não me lembro se algum dia ele já chegou a ficar organizado, mas lembro que ele já foi maior, e não tinha esse cadeado gigante que o senhor está vendo aí na porta. Queria até te pedir um favor, quando o senhor sair - não que eu queira que saia - mas quando sair, será que poderia retirá-lo daí? É feio. Não pense que eu estou triste, tá? Eu não estou. Também não estou saltitante, e nem preciso estar. Estou bem, e estou saudável. Só um pouco entediada. Só isso. Obrigada por estar aqui. Não peço que fique o tempo que quiser, (me perdoe a falta de cordialidade). Mas eu peço que fique o tempo necessário, e depois vá embora. Pra que meu coração cresça. E sabe, toda aquela minha capacidade de amar que tava ocupando tanto espaço aí dentro quando o senhor chegou? Será que o senhor poderia me devolver, antes de ir embora? Obrigada.

Thursday, December 30, 2010

A lápis.



É engraçado como no final do ano os blogs do mundo inteiro ficam cheios de recordações, retrospectivas, aprendizados e promessas para o futuro. E como não podia deixar de ser, aqui vai o meu.

Bom, se eu pudesse mudar uma coisa neste ano que passou, eu teria agradecido mais.
E quanto ao meu aprendizado, se tem uma coisa que eu posso dizer que eu aprendi esse ano foi a não temer mudanças. É uma coisa que a vida vem tentado me ensinar a um certo tempo, mas que só agora, com 20 anos de idade que eu acho que consegui aprender. Certa vez li uma frase do Chico Buarque, que dizia assim "As pessoas tem medo das mudanças. Eu só temo que elas não aconteçam." Eu lembro que eu li e invejei o pensamento dele, porque eu temia demais aquela "desordem" que as mudanças causam. E por muito tempo, eu temi. Por pura insegurança, sem dúvidas, e eu temi muito. Mas quando a gente entende que nós não controlamos o fluxo das coisas, nós começamos a nos acostumar com o risco de se perder o que se tem. Ou de conquistar coisas que nunca imaginamos. E por muito tempo, eu não conseguia sequer pensar na existência desse risco. E hoje, eu posso dizer que eu me encontro cheia, repleta, inteiramente tomada pelo sentimento de gratidão. Gratidão por não ser dona do meu próprio nariz, por não ter minha vida em minhas tão errôneas e desastradas mãos. Por não traçar o meu destino. Não pude deixar de me lembrar de outra frase que li a muitos anos atrás, essa foi do Jon Bon Jovi. Ele disse o seguinte, "trace o seu destino, mas trace-o a lápis". Acho que foi isso que eu aprendi, pra ser mais exata ainda.

Se o meu futuro fosse do jeito que eu queria que fosse a 10 anos atrás, hoje eu seria uma estudante de Veterinária e estaria provavelmente cuidando de cachorros de rua abandonados. Se a vida fosse agora do jeito que eu imaginei a 3 anos atrás eu estaria estudando Biologia, trabalhando no IBAMA. Se a vida fosse do jeito que eu imaginei a 1 ano atrás, eu ainda estaria presa aquela medíocre ideia de felicidade que eu tinha, e pior, eu ainda estaria pensando que era feliz, de verdade. Hoje eu vejo que a minha vida não é nada do que eu planejei pra mim. E daí? "Eu não poderia ser mais feliz." Ha 1 ano atrás eu falei isso, e hoje eu sou mais feliz do que eu era, então sim, eu poderia ser mais feliz. E pude, e fui, e sou. Mas naquela época, por mais pequena que ela pode me parecer hoje, aquela felicidade era completa pra mim. E por mais feliz que eu seja hoje, e sei que a vida pode estar pronta pra me presentear com mais coisas que vão me fazer ser mais feliz do que eu sou, então eu não falo mais isso. Mas eu posso dizer com todas as letras: Eu sou extremamente feliz por não ter seguido o meu plano (ou melhor, os meus planos). Sou feliz por não ter continuado na mesmice. Sou feliz pelas minhas mudanças, pois elas me fizeram ser quem eu sou hoje. E sou feliz por ser quem eu sou.

Sei que pode parecer bem clichê o que eu vou falar, mas é exatamente a verdade. As pessoas passam tempo demais planejando o futuro. Como se pudessem. Como se adiantasse alguma coisa planejar tanto assim.

Trace o seu caminho, mas tenha sempre uma borracha em mãos. Saiba que o seu gosto pode mudar, suas vontades podem mudar, as pessoas a sua volta podem mudar. E tudo bem. Ser flexível não significa que você não tem personalidade. Pelo contrário, significa que a sua está em formação. E veja isso com algo bom. Quando chegar no final você vai ver quantos rascunhos ficaram pra trás. E vai finalmente entender que a vida não foi como você planejou, por uma simples, e muito simples razão: graças a Deus, e somente a Ele, não é você quem controla sua vida.

E para o ano que vem? Desejo de coração, muitas mudanças. Em 2011, muitas mudanças. E dessa vez, eu as receberei de braços abertos. E que o meu Criador me transforme quantas vezes for necessário.



"Você pode até dizer que eu tô por fora, ou então que eu tô inventando. Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem..." (Belchior)





"Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." (Mt 6:34)

Tuesday, November 30, 2010

A dor da mudança, e a mudança da dor

Algumas vezes acontecem algumas mudanças repentinas e bruscas nas nossas vidas. É um sentimento ruim de perda, de encômodo e de desestabilização. Quando acontece este tipo de mudança, queremos respostas, queremos entender, pensamos que precisamos entender. Se entendêssemos, talvez poderíamos explicar pra nossa própria dor: aconteceu por este motivo, portanto entenda e trate de passar logo. Tentamos racionalizar nossos sentimentos. Mas pra maioria desses casos, nós não entendemos porque não queremos entender. E a resposta é simples: aconteceu porque as coisas mudam. Porque tinha que acontecer. Porque não pode continuar assim. E isso não é explicação que se dê para um enfermo.

É fácil entender que mudar dói, mas é difícil entender que doer muda, no momento da dor. Achamos que a dor é um castigo, arranjamos mil razões negativas para a dor. Odiamos fatalmente o motivo de nossa dor por uns tempos, e depois passa. Começamos a entender que doer muda quando já estamos mudados. Talvez com um pouco de dor ainda, mas mudados a ponto de não nos importarmos mais tanto com ela. Ou talvez seja o próprio fato de que não nos importamos mais tanto com ela que nos faz perceber que mudamos.

Somos acostumados a nos desacostumar desde pequenos. Quando eu tinha 3 anos minha mãe tirou minha chupeta de mim. Imagino que eu devo ter aprontado um escândalo. Devo ter chorado a noite inteira, e devo ter pedido a maldita chupeta de volta umas mil vezes, e devo ter sentido muita raiva da minha mãe. Mas não adiantou, ela não me devolveu a chupeta, e eu me acostumei. Quando vemos que não vai adiantar espernear, damos um jeitinho de sair da agonia da ausência de alguma coisa ou de alguém. E o jeitinho sempre é se acostumar. Entendermos que nada vai adiantar, e que se quiser continuar vivo é necessário que se continue respirando sem aquilo. Demore o tempo que precisar, uma hora a gente entende que a gente só "precisava" daquilo porque a gente queria precisar.

Quando nossa dor cicatriza e a agonia passa, inicialmente a gente tem vontade de não precisar de mais nada nunca mais, pra que mais nada seja tirado da gente, e que não tenhamos que passar pela agonia do desapego de novo. E é bom que passemos um tempo sozinhos mesmo, faz parte. Mas no fundo, somos todos dependentes de alguma coisa; a questão é o quanto você pode depender da coisa da qual você depende. E a maturidade chega quando a gente vê, não que não precisamos de nada nem de ninguém, mas o quanto precisamos de algumas pessoas e coisas, e o quanto estas pessoas e estas coisas são poucas. Não poucas de grandeza -pelo contrário, se são poucas, significa que são grandes - mas poucas de quantidade. Entendemos que aquelas pessoas que sempre estiveram ali são as pessoas das quais você pode e deve precisar. Entendemos que as pessoas que te viraram as costas foram as pessoas das quais você não deveria nunca ter precisado. Mas é necessário que se precise de pessoas erradas para se chegar até aqui. É necessário que estas pessoas nos virem as costas, e é necessário que sintamos dor. Por quê? Porque dói mudar. Porque doer muda. E porque é necessário mudar.


"Take what you need and be on your way, and stop crying your heart out."

Sunday, November 28, 2010

As Pedras, a Queda e o Pasto.


Alguém me disse certa vez que a gente demora em média de 3 a 5 meses pra criar um novo hábito. 3 meses, acho que foi o necessário pra mim, ou pelo menos o necessário pra me deixar sóbria. É engraçado olhar pra minha última postagem, ha 3 meses atrás. E é estranho olhar pra trás estando sã e salva.

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Imagine uma pessoa vendada que precisa chegar a um fim. Ela precisa passar por uma sequência de pedras suspensas no ar para chegar ao seu destino. Mas ela não sabe qual a distância entre uma pedra e outra, nem sabe qual o tipo de substância que se encontra lá em baixo, e nem sabe qual é a atura dessa pedra. Ela começa então por uma pedra de um modo muito fácil. A pedra é estável, não muito confortável, mas estável. Ela se sente segura em cima dessa pedra, e pensa que pode não precisar seguir em diante, seria muito melhor permanecer na segurança daquela pedra do que se arriscar. Ficar em cima dessa pedra é bom, pra quê sair dela? Mas uma força muito maior pede pra que essa pessoa siga em frente, este ainda não é o seu destino. Por um incomum lapso momentâneo de coragem e determinação ela dá um passo a frente, e acaba pisando numa pedra muito maior e mais aconchegante (se é que esta palavra pode ser usada para referir-se a uma pedra). Uma pedra plana, grande suficiente pra caber uma pessoa deitada, aparentemente estável. Sim, tive sorte e cheguei até aqui, e só. Pra quê contar com a sorte mais uma vez? Pode ser que a próxima pedra seja longe demais, e eu não consiga chegar até ela num passo só. E se eu cair? Qual seria a altura, quão feia seria minha queda? O que haveria lá em baixo? Não, vou ficar aqui mesmo. Eu estou feliz aqui, e é aqui que eu quero ficar. Vou construir minha vida em cima dessa pedra, e serei muito feliz aqui, já tá bom, não preciso de mais que isso, não sou uma pessoa ambiciosa. Prefiro ficar aqui a me arriscar e cair. E a pessoa se conforma com aquela vida lamentável, e pior, ela se convence de que é absolutamente feliz em cima daquela pedra. Acontece que um certo dia essa pedra desaparece, e essa pessoa cai. Seu tempo de queda é incalculável, ela só sente que está caindo, e junto com ela, todos os seus sonhos cabíveis em cima de uma pedra. Durante sua queda, ela tenta escalar em vão, se agarrar a alguma coisa que dê a ela a sensação de que não está simplesmente vulnerável. Nada. Ela continua caindo, caindo, caindo. Cai sonho, cai venda. A venda cai, e a visão é possível agora. Por horas, dias, meses, anos ou segundos apenas, não se sabe ao certo. Mas ela chega ao chão. Não chega ao chão com uma pancada, nem um arranhão. Ela pousa. E ela vê. Ela sente sob os seus pés um tapete de grama frio e verde. Olha pra trás e não entende a dimensão de sua queda,não sabe nem se na verdade foi uma queda. Pode ter sido uma subida ou uma simples travessia. Ela pode ter chegado até ali nadando ou correndo. Seus sentidos estão completamente confusos. Olha pra trás e não enxerga pedra alguma, nem sinal de pedra. Pensa nos seus antigos planos e perde a dimensão deles, porque é simplesmente difícil demais imaginar naquele contexto. Ela entende então que o que fez a passagem ser tão agoniante e desesperadora era o medo. Medo de cair num mar de ácido sulfírico, medo de espatifar no chão, medo, só medo. Nunca contara com a sorte de ser simplesmente levada. Ela entende então, que não era aquela pedra que a sustentava até então. Entende que alguma coisa a guiara até ali. Alguma coisa a impedira de morrer na queda. A sua frente há um imenso gramado, um ar fresco e agradável. Ela percebe que chegara ao seu destino quando vê que ali é o lugar onde se pode construir todos os sonhos do mundo. Não sonhos para caberem em uma pedra. Sonhos por si só, para não caberem em nada. Sonhos para serem sonhados, simplesmente.


"Ele me faz repousar em pastos verdejantes." (Sl 23:2)


Tuesday, August 3, 2010

E depois?


E quando você chegar lá? E aí, como vai ser? Você vive pedindo pra eu viver o presente e parar de me preocupar com o futuro, mas esta não sou eu. Não sei viver em vão, a vida é curta demais. Te prometi que eu sempre estaria lá com você, mas e se eu passasse muito tempo lá com você, no lugar onde você escolheu viver, tendo como razão apenas essa promessa indecente? Aí eu estaria mais uma vez vivendo em vão. Preciso de explicações claras para que mais tarde eu possa dar a mim mesma justificando a causa da mudança de todos os planos da minha vida. Eu sei que eu vou me cobrar isso depois. Mudar dói demais. Quando você muda, você perde o chão em que você estava e você precisa ser forte, orientado ou determinado demais para enfrentar o novo sem ter vontade de voltar. E pra isso é preciso um bom motivo, motivo esse que eu não sei se chega a ser, mas eu não sei de quase nada mesmo. Mas e quando não se é determinado o suficiente? Onde ficam os que não são? Preciso que alguém me informe porque é pra onde eu devo ir. E se não existir tal lugar devo então ficar ausente, dormindo talvez. Quero poder ficar dormindo até que tudo se resolva, e que um dia de repente - e não mais que de repente - eu tenha me desapegado de você. Não quero praticar o desapego, penso que ele seja um pouco mais complicado do que Fernando Pessoa pensou que fosse. Deve doer porque mudar sempre dói. Acostumar-se é a saída dos que mudam. Assim como alguem que perde uma perna e um dia acaba se acostumando com duas só. O sujeito fica torto e mutilado mas ele fica. E talvez eu me acostume. E enquanto isso, eu tento dormir.


(03/08/10)

Friday, July 30, 2010

Intensamente.



Eu sempre precisei da intensidade, ela sempre foi parte de mim. Não sei ser parcial, nunca consigo atingir o total equilíbrio. Quando eu amo, eu amo muito, com todas as minhas forças, com toda a minha intensidade. Tenho uma necessidade desesperada de aproveitar cada segundo com você, e fico pedindo pro tempo parar de passar. Porque amanhã eu não sei como vai ser, mas sei que não vai ser assim, e se agora é do jeito que é, então eu quero extrair o máximo disso, respirar cada segundo. Porque o tempo passa, e passa rápido, puxando o agora pra trás e empurrando coisas novas, com as quais teremos que aprender a conviver, querendo ou não. E aí vem o medo da mudança e da não-adaptação (e claro, um certo pessimismo, como não podia deixar de ser, tratando-se de mim). E antes que mude, antes que o tempo empurre esse momento pra trás, eu quero viver intensamente, eu quero não dormir. Eu queria entrar num acordo com o tempo, pedir pra ele só passar depois que eu conseguisse captar e sentir tudo o que eu tivesse direito de sentir. Quem me dera se ele esperasse. Seria muito? Por que é que a gente deixa passar?


Eu quero me lembrar de todos os dias que eu passei do seu lado, e por isso eu tento realmente vivê-los. Eu quero viver o amanhã, e todos os segundos, todas as horas que o tempo tem pra me oferecer do seu lado, com a minha intensidade, que não é boa nem ruim, é só minha, eu quero o tempo certo para sentir todas as coisas boas do mundo, e se você é a causa de grande parte dessas coisas boas que eu sinto, é você quem tem que aprender a conviver com a minha forma intensa e desequilibrada de amar você.

Wednesday, July 28, 2010

As vezes é bom, porque as vezes dá saudade. são marcas que a gente deixa, que podem não fazer diferença, mas de qualquer forma, congela no tempo um fluxo de consciencia. sempre fui distraída e não me orgulho disso. sempre adiei, deixei pra depois, deixei pra hora que não dava mais. sempre esperei a hora do desespero pra agir. mas pra essas coisas não existe hora do desespero. dá vontade e pronto, vai. percebi que o tempo passou rápido demais, e se continuar assim, vou chegar no final e ver que todos aqueles sonhos não passaram disso e não passaram de planos dentro da minha cabeça de vento. então resolvi agir. quero criar uma mania, um vício que me faça bem. com intensidade e extremismo, como sempre foi.

Sunday, March 28, 2010

Todo o sentimento (Chico Buarque)

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu.






eu te amo, nunca duvide disso.