
E quando você chegar lá? E aí, como vai ser? Você vive pedindo pra eu viver o presente e parar de me preocupar com o futuro, mas esta não sou eu. Não sei viver em vão, a vida é curta demais. Te prometi que eu sempre estaria lá com você, mas e se eu passasse muito tempo lá com você, no lugar onde você escolheu viver, tendo como razão apenas essa promessa indecente? Aí eu estaria mais uma vez vivendo em vão. Preciso de explicações claras para que mais tarde eu possa dar a mim mesma justificando a causa da mudança de todos os planos da minha vida. Eu sei que eu vou me cobrar isso depois. Mudar dói demais. Quando você muda, você perde o chão em que você estava e você precisa ser forte, orientado ou determinado demais para enfrentar o novo sem ter vontade de voltar. E pra isso é preciso um bom motivo, motivo esse que eu não sei se chega a ser, mas eu não sei de quase nada mesmo. Mas e quando não se é determinado o suficiente? Onde ficam os que não são? Preciso que alguém me informe porque é pra onde eu devo ir. E se não existir tal lugar devo então ficar ausente, dormindo talvez. Quero poder ficar dormindo até que tudo se resolva, e que um dia de repente - e não mais que de repente - eu tenha me desapegado de você. Não quero praticar o desapego, penso que ele seja um pouco mais complicado do que Fernando Pessoa pensou que fosse. Deve doer porque mudar sempre dói. Acostumar-se é a saída dos que mudam. Assim como alguem que perde uma perna e um dia acaba se acostumando com duas só. O sujeito fica torto e mutilado mas ele fica. E talvez eu me acostume. E enquanto isso, eu tento dormir.
(03/08/10)