
Alguém me disse certa vez que a gente demora em média de 3 a 5 meses pra criar um novo hábito. 3 meses, acho que foi o necessário pra mim, ou pelo menos o necessário pra me deixar sóbria. É engraçado olhar pra minha última postagem, ha 3 meses atrás. E é estranho olhar pra trás estando sã e salva.
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Imagine uma pessoa vendada que precisa chegar a um fim. Ela precisa passar por uma sequência de pedras suspensas no ar para chegar ao seu destino. Mas ela não sabe qual a distância entre uma pedra e outra, nem sabe qual o tipo de substância que se encontra lá em baixo, e nem sabe qual é a atura dessa pedra. Ela começa então por uma pedra de um modo muito fácil. A pedra é estável, não muito confortável, mas estável. Ela se sente segura em cima dessa pedra, e pensa que pode não precisar seguir em diante, seria muito melhor permanecer na segurança daquela pedra do que se arriscar. Ficar em cima dessa pedra é bom, pra quê sair dela? Mas uma força muito maior pede pra que essa pessoa siga em frente, este ainda não é o seu destino. Por um incomum lapso momentâneo de coragem e determinação ela dá um passo a frente, e acaba pisando numa pedra muito maior e mais aconchegante (se é que esta palavra pode ser usada para referir-se a uma pedra). Uma pedra plana, grande suficiente pra caber uma pessoa deitada, aparentemente estável. Sim, tive sorte e cheguei até aqui, e só. Pra quê contar com a sorte mais uma vez? Pode ser que a próxima pedra seja longe demais, e eu não consiga chegar até ela num passo só. E se eu cair? Qual seria a altura, quão feia seria minha queda? O que haveria lá em baixo? Não, vou ficar aqui mesmo. Eu estou feliz aqui, e é aqui que eu quero ficar. Vou construir minha vida em cima dessa pedra, e serei muito feliz aqui, já tá bom, não preciso de mais que isso, não sou uma pessoa ambiciosa. Prefiro ficar aqui a me arriscar e cair. E a pessoa se conforma com aquela vida lamentável, e pior, ela se convence de que é absolutamente feliz em cima daquela pedra. Acontece que um certo dia essa pedra desaparece, e essa pessoa cai. Seu tempo de queda é incalculável, ela só sente que está caindo, e junto com ela, todos os seus sonhos cabíveis em cima de uma pedra. Durante sua queda, ela tenta escalar em vão, se agarrar a alguma coisa que dê a ela a sensação de que não está simplesmente vulnerável. Nada. Ela continua caindo, caindo, caindo. Cai sonho, cai venda. A venda cai, e a visão é possível agora. Por horas, dias, meses, anos ou segundos apenas, não se sabe ao certo. Mas ela chega ao chão. Não chega ao chão com uma pancada, nem um arranhão. Ela pousa. E ela vê. Ela sente sob os seus pés um tapete de grama frio e verde. Olha pra trás e não entende a dimensão de sua queda,não sabe nem se na verdade foi uma queda. Pode ter sido uma subida ou uma simples travessia. Ela pode ter chegado até ali nadando ou correndo. Seus sentidos estão completamente confusos. Olha pra trás e não enxerga pedra alguma, nem sinal de pedra. Pensa nos seus antigos planos e perde a dimensão deles, porque é simplesmente difícil demais imaginar naquele contexto. Ela entende então que o que fez a passagem ser tão agoniante e desesperadora era o medo. Medo de cair num mar de ácido sulfírico, medo de espatifar no chão, medo, só medo. Nunca contara com a sorte de ser simplesmente levada. Ela entende então, que não era aquela pedra que a sustentava até então. Entende que alguma coisa a guiara até ali. Alguma coisa a impedira de morrer na queda. A sua frente há um imenso gramado, um ar fresco e agradável. Ela percebe que chegara ao seu destino quando vê que ali é o lugar onde se pode construir todos os sonhos do mundo. Não sonhos para caberem em uma pedra. Sonhos por si só, para não caberem em nada. Sonhos para serem sonhados, simplesmente.
"Ele me faz repousar em pastos verdejantes." (Sl 23:2)
toda mudança exige coragem, exige determinação e existe tempo. Cada passo é um medo e cada medo um aprendizado. Não sabemos o que há no final do caminho, mas sabemos Quem nos faz caminhar. =]
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