É fácil entender que mudar dói, mas é difícil entender que doer muda, no momento da dor. Achamos que a dor é um castigo, arranjamos mil razões negativas para a dor. Odiamos fatalmente o motivo de nossa dor por uns tempos, e depois passa. Começamos a entender que doer muda quando já estamos mudados. Talvez com um pouco de dor ainda, mas mudados a ponto de não nos importarmos mais tanto com ela. Ou talvez seja o próprio fato de que não nos importamos mais tanto com ela que nos faz perceber que mudamos.
Somos acostumados a nos desacostumar desde pequenos. Quando eu tinha 3 anos minha mãe tirou minha chupeta de mim. Imagino que eu devo ter aprontado um escândalo. Devo ter chorado a noite inteira, e devo ter pedido a maldita chupeta de volta umas mil vezes, e devo ter sentido muita raiva da minha mãe. Mas não adiantou, ela não me devolveu a chupeta, e eu me acostumei. Quando vemos que não vai adiantar espernear, damos um jeitinho de sair da agonia da ausência de alguma coisa ou de alguém. E o jeitinho sempre é se acostumar. Entendermos que nada vai adiantar, e que se quiser continuar vivo é necessário que se continue respirando sem aquilo. Demore o tempo que precisar, uma hora a gente entende que a gente só "precisava" daquilo porque a gente queria precisar.
Quando nossa dor cicatriza e a agonia passa, inicialmente a gente tem vontade de não precisar de mais nada nunca mais, pra que mais nada seja tirado da gente, e que não tenhamos que passar pela agonia do desapego de novo. E é bom que passemos um tempo sozinhos mesmo, faz parte. Mas no fundo, somos todos dependentes de alguma coisa; a questão é o quanto você pode depender da coisa da qual você depende. E a maturidade chega quando a gente vê, não que não precisamos de nada nem de ninguém, mas o quanto precisamos de algumas pessoas e coisas, e o quanto estas pessoas e estas coisas são poucas. Não poucas de grandeza -pelo contrário, se são poucas, significa que são grandes - mas poucas de quantidade. Entendemos que aquelas pessoas que sempre estiveram ali são as pessoas das quais você pode e deve precisar. Entendemos que as pessoas que te viraram as costas foram as pessoas das quais você não deveria nunca ter precisado. Mas é necessário que se precise de pessoas erradas para se chegar até aqui. É necessário que estas pessoas nos virem as costas, e é necessário que sintamos dor. Por quê? Porque dói mudar. Porque doer muda. E porque é necessário mudar.
"Take what you need and be on your way, and stop crying your heart out."
arroizi.... vc tem um blog!!
ReplyDelete=]
gostei do post...
bjosbjos